sábado, 16 de abril de 2011

E se?

E se.
E se,
E se...
E se você saísse do se?

Pode ser
"Se" é assim
Sem certeza ou precisão
Mas você adora um se...

E se.
E se,
E se...
E se você saísse do se?

A Vingança de Karl Marx

Passeando pela web, descobri esse texto sobre Marx, simplesmente, adorei. Parabenizo o autor por tamanha competência em expressar-se.

A Vingança de Karl Marx


Na tumba

Seráfico

Karl Marx sorri


Vencido o comunismo

Depois de tanta guerra

Por mar e por terra

Quente e fria

Quem diria

Num ápice inesperado

Wall Street é nacionalizado


É Karl Marx que se vinga!


Embora não tenha razão para tanto

Já que também ele não foi santo


Mas será que o socialismo

Sai ilibado?


Eu diria que não!


A crise não é do capitalismo

Nem de qualquer outro “ismo”

É sim desta iníqua civilização

Que capitaliza

Ou socializa

Na paz ou na guerra tanto faz

O vício

A mentira

A usura

A corrupção

Que a uns dá tudo

E à maioria não assegura sequer

O pão



Henrique Pedro

sábado, 9 de abril de 2011

O homem romântico sabe que não precisa inventar muito para demonstrar o seu amor verdadeiro.

Esse texto nem deveria estar aqui em minhas postagens, mas fiquei muito surpresa e posso dizer também que feliz quando vi o comentário que fizeram a ele. E por isso resolvi compartilhá-lo novamente, especialmente a pessoa pela qual tem acompanhado meu blog e que tanto gostou deste texto.

O homem romântico sabe que não precisa inventar muito para demonstrar o seu amor verdadeiro.
"Dê valor às pessoas enquanto elas estão por perto, Saudade, não é motivo suficiente para que elas voltem"


Basta uma troca de olhares e devagar seu coração vai se apaixonando... Se foi realmente a tua vontade que tudo terminasse da forma como acabou, a única certeza que ficou foi aquela em que fomos capazes de colocar reticências, essas mesmas que podem significar um fim, mas que também podem dizer que um dia quem sabe tudo terá continuação. Por momentos acreditei que sim, essa foi a razão que continuei à tua espera,foram meses, onde sempre alimentei a esperança que um dia voltasses, não me interessava sobre de que forma, com quais intenções ou o que irias ter para me dizer, desejei apenas sentir-te de novo junto a mim.
Durante o tempo que fazias parte da minha rotina acreditei que sentia amor verdadeiro por ti,mesmo sem convivermos ,e sem muito contato eu estava disposta a te oferecer um amor sincero.E assim continuei a acreditar nesse amor, razão de continuar a querer-te como no primeiro dia em que esse tal sentimento nasceu. Só que hoje percebi que o amor verdadeiro não permite que exista sofrimento e eu sei o quanto sofri.
Por momentos, no turbilhão de emoções o meu amor por ti transformou-se em decepção, assim como a alegria que sentia ao estar ao teu lado, logo passou a um estado de sofrimento e um amor verdadeiro não tem estes contornos. Mas será que tudo não passou de uma manifestação rápida e brilhante de algo encoberto pela interferência da mente?
Eu podia ficar com a impressão de que tive algo muito valioso, “você”, mas que perdeu o devido valor ou então a minha mente pode convencer-me de que tudo não passou de uma ilusão. A verdade é que não foi uma ilusão ,mas também não perdi nada, assim como tu podes ter desaparecido, sei que tu estás atrás de um lugar qualquer.
Seria fácil dizer que o destino foi o culpado pelo nosso afastamento ou inventar motivos sem fins,mas ignorar os fatos não os altera. Paguei assim o preço por não haver encontrado um amor verdadeiro, acredito que esta é a chave que abre a caixa de todas as dúvidas. A dor ou o sofrimento surge através de desejos ou anseios precipitados, e para libertar da dor necessitamos romper as amarras desses sentimentos.
São essas mesmas amarras que rompo e todos os meus desejos de ti, ficam por aqui… Estas mesmas reticências dizem que se quiseres vir ao meu encontro e se conseguires ouvir o bater do meu coração, terei com toda a certeza todas as condições de amar-te verdadeiramente, assim que você seja capaz, porque querer já não basta, tem que fazer valer.


 

Sociedade

O homem disse para o amigo:
— Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.


O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.


O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.


Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
— Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.


No caminho o homem resmunga:
— Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: — Que idiota.

— A casa é um ninho de pulgas.
— Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.


E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.



Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'